Facebook SDK

Primeiro, Paulo Henrique alegou ser ambulante e que achou o bebê, mas mudou versão ao ir depor nesta quinta (11). Suposta mãe também foi à delegacia. Exame de DNA vai confirmar se eles são os pais.

Homem que 'encontrou' recém-nascido dentro de sacola em Olinda é o pai do bebê, diz advogado
O advogado James Lancaster defende o homem filmado com a sacola em que estava bebê encontrado em esquina de Olinda no dia 2 de novembro — Foto: Katherine Coutinho/ g1

O homem que alegou ter encontrado um bebê numa sacola em uma equina do Sítio Histórico, em Olinda, compareceu à delegacia nesta quinta-feira (11), após ser intimado pela Polícia Civil como pessoa que fez o resgate. No local, segundo o advogado James Lancaster, que atua na defesa dele, Paulo Henrique confessou ser o pai do recém-nascido.

O menino foi "localizado" no dia 2 de novembro e levado para o Hospital Tricentenário, onde permanece internado. Além do suposto pai, a possível mãe, que é companheira de Paulo Henrique, também esteve na delegacia nesta quinta, acompanhada por outro advogado, mas deixou o local sem falar com a imprensa.

Veja também

A Polícia Civil não informou se suposta mãe do bebê foi convocada para prestar depoimento ou se compareceu de maneira espontânea. O g1 não conseguiu contato com a defesa dela.

Também nesta quinta, Paulo Henrique e a companheira dele forneceram material genético para o teste de DNA, segundo o Conselho Tutelar. O bebê também passou pela coleta, no hospital. A ideia é confirmar o parentesco.

Segundo a coordenadora dos conselhos tutelares de Olinda, Cláudia Moura, os supostos pais foram ouvidos nesta quinta pelo delegado responsável pelo caso, mas a mulher teria comparecido de maneira espontânea. O investigador não repassou detalhes sobre o caso ou concedeu entrevista.


"Nunca existiu ambulante algum. Isso foi uma história que o pai da criança criou para poder salvar o seu filho porque ele estava em ato de desespero e foi a única forma que ele encontrou de salvar a sua criancinha", declarou o advogado de Paulo Henrique (confira detalhes mais abaixo).

Além de Cláudia Moura, o caso é acompanhado pela conselheira tutelar Cristiane Barbosa. Um casal compareceu ao Conselho Tutelar no dia 4 de novembro alegando ser parentes do menino. De acordo com Cristiane, o exame de DNA também deve ser realizado para confirmar se esse casal tem ou não o parentesco com o recém-nascido.

"Tem duas pessoas que falaram que supostamente podem ser familiares da criança. A gente já encaminhou para o Ministério Público e vai ser encaminhado também para a Justiça, já que a Vara da Criança está acompanhando o caso. Sendo encaminhados, a gente solicita um teste de DNA para constatar se [o bebê] é parente da genitora ou daquelas duas pessoas que compareceram antes", declarou Cristiane.


Em boletim divulgado no final da manhã, o Hospital Tricentenário informou que o bebê conclui o ciclo de antibióticos ainda nesta quinta-feira (11). Também disse que o médico neonatologista que cuida do paciente solicitou novos exames para poder avaliar quando o recém-nascido pode ter alta.

Após ter alta, o bebê vai para uma casa de acolhimento até que toda a situação seja esclarecida e a Justiça decida com quem ele fica. Segundo a Cristiane Barbosa, existe a possibilidade de a criança ser entregue aos cuidados da mãe, mas depende do que a mulher alegar e de uma decisão judicial.

Caso a mãe não tenha condições de se responsabilizar pelo bebê, são buscados parentes maternos e paternos que possam assumir a guarda dele. Somente se não houver familiares, ele segue para adoção, explicou a conselheira.


Homem que 'encontrou' recém-nascido dentro de sacola em Olinda é o pai do bebê, diz advogado
Paulo Henrique, inicialmente, afirmou que encontrou bebê dentro de bolsa no Sítio Histórico de Olinda — Foto: Reprodução/ TV Globo

CONSELHO

Depois de ir para a delegacia, Paulo Henrique e a mãe dele foram ao Conselho Tutelar para apresentar a versão para o caso.

A conselheira Cláudia Moura afirmou, na noite desta quinta, que eles disseram que não conheciam o casal que se apresentou dizendo que tinha parentesco com o bebê. "Além disso, ele confirmou a versão apresentada na delegacia", disse.


A companheira de Paulo Henrique está sendo esperada no conselho, na terça-feira (16), de acordo com Cláudia.

"Ela foi, hoje [quinta] ao laboratório por causa do teste de DNA. Vamos ouvir a versão dela para chegar a uma conclusão, já que temos que garantir a segurança da criança", disse.

Imagens das câmeras de casas do Sítio Histórico mostram um homem com uma sacola onde o recém-nascido foi encontrado. Essa pessoa é Paulo Henrique e tudo teria acontecido pouco após o bebê nascer, segundo o advogado.

Lancaster afirmou que o casal desconhecia a gravidez, tendo descoberto apenas no momento do parto.


"Eles não sabiam que ela estava esperando [um bebê], tanto que ela não fez o pré-natal. Então, no momento que estavam dormindo, ela acordou com dor, segurando o braço dele. Daqui a pouco, já estava estava 'coroando' [nascendo] a criança", declarou.

O defensor do suposto pai disse, ainda, que o parto aconteceu em casa. "Eles próprios [pais] fizeram o parto, tanto é que [...] ele pegou [uma tesourinha e passou] álcool em gel, esterilizou com todo cuidado do mundo. Ele cortou o cordão umbilical, colocou a criança [na sacola] de forma que não sufocasse e foi para o hospital", declarou.

O casal está junto há cerca de três anos, ambos estão desempregados e moram na casa da sogra de Paulo Henrique, com uma filha de um outro relacionamento da mulher dele, segundo o advogado. Ele também tem outros filhos.


"Ele ficou sem saber o que fazer no momento, porque ele não ia jogar o menino na rua. [...] A bolsa que ele levou, vocês vão ver pelas câmeras que ele foi direto para o hospital. Em momento algum ele deixou a criança no ambiente lá, sozinha", disse Lancaster.

O advogado afirmou que a decisão de levar a criança ao hospital foi tomada tanto pelo pai, quanto pela mãe. "A mãe estava ciente. A mãe e o pai é que chegaram a essa decisão de ir para o hospital", declarou o advogado.

O defensor disse, ainda, que Paulo Henrique está arrependido do que fez. Para Lancaster, não houve crime na declaração anterior do homem, de se apresentar como ambulante que "achou" o bebê. "Haveria um crime se ele tivesse sustentado a mentira, dito que era um ambulante. [...] Aí poderia haver denunciação caluniosa", alegou.


A Polícia Civil não se pronunciou sobre uma possível responsabilização criminal de Paulo Henrique, nem divulgou os próximos passos da investigação. Após o depoimento, ele deixou a delegacia junto ao advogado, no começo da tarde desta quinta-feira.

O Conselho Tutelar afirmou que os supostos pais ainda devem ser ouvidos pelo órgão para prestar esclarecimentos, mas ainda não há data marcada para isso acontecer.

Com informações do G1

Deixar comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Continua depois da publicidade

Publicidade