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Até 2019, jornais e revistas ridicularizavam o uso do álcool gel para a proteção contra gripes. Mas as certezas científicas aumentaram ou diminuíram quanto a isso? Na verdade, há mais certeza de que o álcool não oferece proteção.

Além das máscaras, álcool gel também pode ser inútil na proteção contra Covid-19
Foto: Reprodução/ Internet

Uma pesquisa recente feita pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostrou que 80% do álcool em gel vendido no Brasil pode não estar combatendo o CoViD-19 como prometido. Segundo o estudo, a maioria das amostras analisadas pelos professores do departamento de química da universidade tinham teor alcóolico inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O certo é cada embalagem conter um teor entre 68% e 72% de álcool.


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Atualização: a UFPR esclarece que a intenção dos pesquisadores não foi a de apresentar um diagnóstico representativo do álcool em gel vendido no mercado brasileiro, mas apenas alertar para o problema e oferecer o serviço de testagem.

A pesquisa pode indicar que o álcool está servindo muito mais como efeito psicológico de proteção. O motivo desse descaso, no entanto, pode estar na falta de convicção entre os próprios cientistas sobre a efetividade da suposta proteção. Até o ano passado, jornais e até cientistas ridicularizavam a mania de algumas pessoas por higienizar freneticamente objetos e as mãos com o álcool como medida para a proteção de contágio pela gripe, que ficou popular a partir da pandemia de Influenza.


De repente, diante do pânico social gerado pela CoViD-19, a medida voltou a ser recomendada. Mas as dúvidas sobre a sua efetividade já vinham dando lugar a algumas certezas.

Até revistas frequentemente sensacionalistas desdenharam da medida, como o caso da Revista Superinteressante, que em outubro de 2019, publicou a matéria “A gripe ri da cara do álcool-gel: Desinfetar as mãos demora 4 minutos para fazer efeito contra o influenza – uma eternidade, do ponto de vista do vírus. E a culpa é toda do seu catarro”. A matéria mostra como a medida não passa de uma mania.

“O álcool-gel tem a capacidade incrível de fazer você se sentir imediatamente mais limpo, só de esfregar a substância na mão e sentir o conhecido geladinho”, diz a matéria.


A matéria cita um estudo da Universidade de Kyoto, que mostrou como na natureza o comportamento do vírus é diferente do ambiente de um laboratório em que os primeiros testes eram feitos. Antes, o vírus era colocado na mão de um voluntário a partir de uma solução salina para manter o vírus vivo. Ali eles despejavam uma quantidade pequena de álcool gel, nas condições específicas, e o vírus de fato morria. Mas a Universidade de Kyoto resolveu simular uma situação real e descobriu que a transmissão não ocorre nas condições idealizadas pelo laboratório.

Na realidade, o vírus chega às mãos envolto em uma quantidade de catarro que protege o vírus da ameaça do álcool. “Encapsulado” por uma quantidade de secreções, o vírus precisaria inicialmente de 30 segundos de lavação com álcool, o que em pesquisas seguintes passou para quatro minutos, o que inviabiliza o uso como proteção efetiva no dia-a-dia, ao menos para pessoas normais.


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Com o muco úmido em torno do vírus, portanto, o etanol demora a agir como esterilizador, dando uma sobrevida muito maior para o vírus, um tempo suficiente para haver contaminação em caso de contato. O segredo da sobrevivência viral está na consistência espessa do muco de pessoas com vírus, descobriram os pesquisadores.

No entanto, o que já se sabia cientificamente parece ter sido esquecido imediatamente após o início da pandemia de CoViD-19, quando o medo social e a histeria coletiva produzida pelos jornais pressionaram entidades médicas a adotarem medidas de proteção, fazendo com que médicos deixassem a medicina de lado para oferecer proteções psicológicas.


Após o descrédito científico envolvendo as máscaras, parece que o poder de evitar uma gripe literalmente vem escapando das mãos humanas.

Com informações do Estudos Nacionais

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