Sob pressão, governo de Pernambuco anuncia apoio à federalização do Caso Beatriz

Após seis anos do assassinato da menina, em Petrolina, no Sertão, a Polícia Civil não conseguiu chegar à autoria do crime

Sob pressão, governo de Pernambuco anuncia apoio à federalização do Caso Beatriz
Beatriz Angélica Mota, tinha 7 anos — Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

Após reunião com os pais da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, assassinada em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, o governo do Estado anunciou que apoiará a federalização das investigações. Uma nota oficial foi divulgada na tarde desta terça-feira (28).

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"Presto total solidariedade à família e amigos de Beatriz, que estão empenhados há seis anos na luta pela punição dos responsáveis pelo crime. O governo de Pernambuco se manifesta favoravelmente à federalização do caso e assegura, ainda, que prestará toda a colaboração necessária, ciente de que cabe à Procuradoria-Geral da República ou ao Ministério da Justiça avaliar se estão presentes os requisitos legais para a referida federalização", informou texto assinado pelo governador Paulo Câmara.

A reunião ocorreu no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. O secretário de Defesa Social, Humberto Freire, também esteve presente no encontro. Na saída, falou com a imprensa. "Vamos manter o esforço, com a força-tarefa (de delegados), até que a gente tenha elementos suficientes para indiciar algum responsável e apresentar ao sistema de justiça. E nos colocamos, como sempre estivemos, à disposição da família. Assumimos o compromisso de explorar qualquer linha investigativa que nós possamos porque nosso compromisso é em elucidar esse crime bárbaro e chegar efetivamente a essa culpado", afirmou.

Os pais de Beatriz Mota chegaram no Recife, após caminharem cerca de 720 km em busca de justiça. Ele saíram de Petrolina no último dia 5 de dezembro, passando por diversas cidades em uma verdadeira cruzada por respostas sobre o caso da filha. Foram 23 dias de caminhada.


Sobre o pedido de acesso aos conteúdos da investigação por parte de uma empresa privada americana, sem qualquer vínculo com o Governo dos EUA ou suas representações diplomáticas no Brasil, a Secretaria de Defesa Social esclareceu que esse tipo de cooperação não encontra respaldo na legislação brasileira.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, publicada nessa segunda-feira (27), o governador admitiu que o trabalho da Polícia Civil "não atingiu o êxito" esperado.

"A gente sempre esteve muito atento a este caso da Beatriz, inclusive eu estive com a mãe dela aqui no Palácio (do Campo das Princesas) e em outras oportunidades em Petrolina, mais de uma vez. Desde o início, nós solicitamos uma apuração rigorosa com relação a isso. Infelizmente o trabalho da polícia não atingiu o êxito que nós gostaríamos de ter atingido, que era justamente chegar a autoria e a responsabilidade. Mas estamos à disposição como sempre estivemos", afirmou Câmara.

"Essa questão da federação nunca foi um tabu para Pernambuco. Outros casos de repercussões foram federalizados. Inclusive, a sua grande maioria chega aos mesmos resultados da nossa polícia. Mas se for para realmente contribuir não vamos nos opor. Esse assunto da federação já tinha chegado a nós. Agora, nós temos que respeitar os ritos e a legislação. Não podemos fazer mais ou além do que esteja dentro das nossas possibilidades. E a polícia entendeu que produziu o que poderia se produzir até hoje, em termos de resultados", disse o governador Paulo Câmara.


"Agora qualquer fato novo, qualquer ação que possa ser inserida, nós vamos ser os primeiros a querer que isso seja apurado. Nós queremos também, tanto quanto a mãe, que isso seja apurado, porque é o conforto que ela está esperando e realmente diante de uma perda que não tem volta. A questão da autoria e da prisão é o que a mãe tem dito, que é o grande objetivo dela. Sempre que houver um fato novo e relevante nós vamos utilizar forças para tentar de todas as formas chegar a uma resultado final desse processo", completou.

APOIO

No trajeto até o Recife, os pais de Beatriz, Sandro Romildo e Lucinha Mota, receberam o apoio e companhia de Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, de 5 anos, que morreu ao cair do nono andar de um prédio de luxo na área central do Recife após ser deixado sozinho dentro de um elevador pela patroa da mãe. Além de Mirtes, familiares do soldado Joanilson da Silva, da PM da Bahia, morto por engano em ação da Polícia Civil de Pernambuco, também estão ao lado de Sandro e Lucinha na caminhada.


O CASO

No dia 10 de dezembro de 2015, em Petrolina, Beatriz Mota, de 7 anos, foi assassinada com 42 facadas em uma sala desativada do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde estudava, quando acontecia a formatura da irmã mais velha.

Beatriz havia se afastado para beber água e não voltou mais. O corpo dela foi encontrado 30 minutos após.

Atualmente, uma força-tarefa de delegados acompanha o caso. O inquérito, com 24 volumes, foi remetido ao Ministério Público no começo deste mês. Há, ao todo, 442 depoimentos, 900 horas de imagens e 15 mil chamadas telefônicas analisadas.

Em 2017, polícia divulgou a imagem de um suspeito que possivelmente entrou no colégio durante a festa. Uma câmera flagrou o rapaz do lado de fora, mas nenhuma imagem do lado de dentro teria registrado. Foi oferecida recompensa de R$ 10 mil, mas o criminoso não foi encontrado.

Testemunhas contaram à polícia, na época, que o suspeito teria sido visto tentando se aproximar de outras crianças antes de chegar até Beatriz. Mas ninguém desconfiou.

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